Palavra versus Corpo

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Palavra versus Corpo

wilheim-reich-corpo-somatica-psicoterapiacorporalPodemos dizer que, no universo das psicoterapias, há cinco grandes tendências que definem não só o corpo teórico quanto também o perfil dos processos e dos que os empregam.

Na primeira fila, estão as escolas que dão importância ao inconsciente, tais como a Psicanálise, Gestalterapia, Hipnoterapia e Psicodrama. Na segunda fila, estão as escolas humanistas, que dão importância ao sentido da existência. Na terceira, estão os comportamentais, que visam o indivíduo em sua relação com o mundo (adaptação). Esses se definem como cognitivo-comportamentais. E na quarta estão as terapias familiares, que se interessam pela comunicação desde os padrões estabelecidos no aprendizado das relações familiares. Já as terapias corporais, onde temos como origem a Psicanálise, desde Reich, é possível situar o universo das psicoterapias corporais como uma quinta tendência que se serve das outras, uma vez que não é possível referir-se ao indivíduo sem levar em consideração suas necessidades adaptativas, sua atividade anímica inconsciente, suas relações familiares estruturantes, o sentido que se dá à sua existência e o corpo em sua funcionalidade físico-química, emocional e energética.

Enquanto metodologia, cada uma dessas escolas emprega procedimentos que põem a palavra em primeiro lugar. Na psicanálise, espera-se que o inconsciente se manifeste pela associação livre de palavras, desde que faça emergir os afetos nela contidos. Nas abordagens que empregam a dramatização, é necessário que o sujeito fale, assumindo seus papéis. Já as terapias corporais trouxeram uma outra forma de ver a palavra, uma vez que a fala e o comportamento se modificam à medida que a percepção e os desbloqueios das sensações e sentimentos reprimidos acontecem. Em verdade, se o sujeito tiver tendência a usar defesas intelectuais, sua fala terá mais uma conotação defensiva e de resistência ao processo. Tal problema levou alguns terapeutas corporais ao exagero de tratarem a fala, durante a terapia, com desdém, deixando, portanto, de considerar o seu valor no processo de elaboração de conflitos, que podem emergir juntamente com a experiência das técnicas corporais.

A dificuldade de se entender o real valor da fala levou também algumas escolas de psicoterapia corporal a não se desenvolverem no sentido de ampliar recursos que permitam que o conflito seja ressignificado e não somente descarregado energeticamente.

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